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5 de Março de 2018

Pancadão do Paraisópolis coloca em risco a segurança de motoristas e cobradores

Pancadão do Paraisópolis coloca em risco a segurança de motoristas e cobradores

Ameaças, vandalismo, violência, além de muita droga e sexo explícito. Essa é a realidade dos motoristas e cobradores, que atuam na linha 5119 da viação Campo Belo, mais conhecida como a “linha do Pancadão de Paraisópolis”. Para a categoria, fazer o trajeto que tem a Rua Giovani Gronchi – na região do Morumbi – como um dos pontos de parada, é o mesmo que ingressar em um pesadelo, que começa na madrugada e termina somente depois do amanhecer. A situação é apenas mais um retrato da rotina da categoria, que é frequentemente intimidada e vítima da insegurança existente nas ruas de São Paulo. Atento, o Sindmotoristas segue cobrando providências do poder público.

 “Saímos de casa sem saber se vamos voltar ou se voltaremos machucados”, afirmou o ex-motorista da linha 5119, que preferiu não se identificar com medo das ameaças de morte sofridas durante quatro anos. Há um mês ele deixou o coletivo, que o colocava a mercê do caos. “Foi um alívio ter saído. Já tinha pedido para me tirarem, mas a empresa sempre falava que se me tirasse o outro que entrasse ia pedir pra sair também”, destacou o condutor, lembrando do inferno vivido nos sábados e domingos em que transportou os frequentadores do baile funk da favela do Paraisópolis.

“Eles quebravam o vidro das janelas, rasgavam bancos, jogavam o tampão de cima do ônibus pra fora e ficavam pendurados. Era todo mundo drogado, pulavam a catraca, entravam por trás, ameaçavam partir pra cima. Tínhamos que ficar calados, pois se falássemos o bicho pegava mesmo”, detalhou o companheiro.

O cenário é antigo e segue sem solução. Medidas paliativas chegaram a ser colocadas em prática, mas sem sucesso. Uma delas foi desviar a rota do ônibus. No entanto, os passageiros caminhavam para “pegar” a linha. A indicação de um inspetor para acompanhar o coletivo a bordo de uma moto foi outra iniciativa consensual entre o diretor da garagem e delegado para auxiliar os trabalhadores em situações mais graves. “Ele não impedia a violência, estava ali apenas para acionar a polícia ou coibir os indivíduos se fosse necessário. Mas, o que precisávamos mesmo era de uma atuação policial ostensiva para coibir o pancadão”, explicou o motorista.

Há cerca de um ano, o governador Geraldo Alckmin regulamentou por decreto a lei 16.049 que proíbe o pancadão. A questão é que não basta aprovar a regra, é preciso acompanhar o seu cumprimento. Conforme estipulado, aqueles que burlassem a lei teriam que pagar multa de R$ 1 mil. “Mais uma vez, a nossa categoria é vítima da insegurança e da impunidade. É inadmissível que profissionais sejam coagidos durante o seu horário de trabalho. Isso tem que mudar e já passou da hora”, ressaltou o presidente do Sindmotoristas, Valdevam Noventa. “Estamos de olho e prontos para acabar com esse mal, que inferniza a vida de motoristas e cobradores. Eles não podem sair de casa com medo”.